NOTA TÉCNICA

 

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Análise de demanda adicional de leitos hospitalares gerais, UTI e equipamentos de ventilação assistida em Mato Grosso em função da pandemia de COVID-19: impactos regionais.

Analysis of the extended demand for hospitalization, admission to intensive care units and mechanical ventilation in Mato Grosso, in consequence of the COVID-19 pandemic: regional impacts.

Autores


Emerson Soares dos Santos a
Peter Zeilhofer a
Ana Paula Muraro b
Abril de 2020
a Departamento de Geografia
b Instituto de Saúde Coletiva

Resumo

Trata-se de nota técnica que tem como objetivo principal apresentar cenários simulados de ocupação de leitos gerais, UTIs e equipamentos de ventilação assistida motivados pela pandemia da COVID-19, no estado de Mato Grosso. Como os as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada, utilizamos as regiões de saúde como unidade de análise geográfica. São inicialmente realizadas simulações de taxas de infecção a partir de taxas específicas por idade, em função da população estimada para 2020 com ajuste pelo perfil etário de cada região de saúde. A oferta de leitos gerais, UTIs e equipamentos de ventilação foi calculada a partir da média de doze meses anteriores. Os cenários de ocupação com taxas de infecção de 0,5%, 1%, 2% e 5% foram simulados para horizontes temporais de curto e médio prazos, já que há grande incerteza na forma e intensidade da disseminação da doença pelo estado. Em razão das desigualdades regionais, é possível detectar a existência de regiões de saúde que teriam sua oferta de equipamentos saturada já em cenários com baixa taxa de infecção. Em contraponto, há regiões que possuem capacidade de atendimento da população local mesmo em cenários com taxas de infecção mais alta em horizontes de tempo reduzido. Este documento pretende auxiliar na discussão sobre a desigualdade da distribuição geográfica da oferta de serviços necessários para o atendimento de pessoas com COVID-19 no estado, e fomentar assim um planejamento da alocação de recursos para diminuir os impactos do COVID-19 sobre a sociedade mato-grossense.

Abstract

This technical note presents simulated scenarios of hospitalization, admission to Intensive Care Units (ICUs) and mechanical ventilation because of the COVID-19 disease in the Brazilian state of Mato Grosso (MT). As Public health services in Brazil are organized in a regional network, official public health regions were used as reference for geographical analysis. First, infections rates of each region have been simulated as a function of age group and population. Availability of hospital beds, ICUs and mechanical ventilation equipment have been estimated according the average availability as health facilities during the last 12 months. Scenarios of occupation have been estimated for infection rates of 0.5%, 1%, 2% e 5% for intermediate (1-3 months) and long (6 months) temporal horizons, this there are expressive uncertainties of COVID spread in the state.  MT presents expressive regional heterogeneities in terms of population density and structure and principally health facilities, where some regions have been simulated to suffer shortcomings in availability even assuming conservative estimates of infection rates in a short time horizon (e.g. 0.5% in 2 months). On the other hand, some regions such as the state capital municipality, have reserves to attend local populations even in scenarios with higher infection rates in reduced time horizons. This document pretends to underpin the discussion about heterogeneity in the spatial distribution of health infrastructure, essential to attend COVID-19 cases in MT and provide baseline information for resource allocation to prevent potential overload of health facilities in the state.

A. Sumário executivo

Esta nota técnica apresenta como avaliação principal simulações da demanda de leitos (gerais e UTI) e de equipamentos de ventilação mecânica em função da pandemia de COVID-19 no estado de Mato Grosso. Não avalia cenários da possível expansão da virose per se, mas se limita a simular a disponibilidade hospitalar em função de possíveis cenários de infecção e hospitalização. A construção destes cenários, porém, se norteia na dinâmica de dispersão da COVID-19 como observada em outros países em diferentes condições de transmissão comunitária e com diferenças na implementação de medidas de distanciamento social (supressão).
As estimativas consideram a demanda média gerada por outras enfermidades, porém não simulam um eventual aumento da demanda total por efeitos combinados (agravamentos) de COVID-19 com outras enfermidades.
O estudo aplica os procedimentos metodológicos propostos por Noronha et al. (2020) e segue amplamente sua sequência de apresentação, para facilitar comparações.
As principais características na estimativa são:
  1. Levam em consideração as diferenças na estrutura etária observadas nos municípios.
  2. Levam em consideração as diferenças no perfil etário de infecção e no risco etário de internação hospitalar (geral e UTI).
  3. Após debates com outros pesquisadores, profissionais e gestores, o estudo poderá apoiar os processos de tomada de decisão relacionados ao atendimento de pacientes acometidos com COVID-19.
 

A1. Procedimentos metodológicos

São considerados cenários definidos com base em diferentes taxas de infecção de 0,5%, 1%, 2 % e 5% (casos confirmados) e períodos de propagação do COVID-19 de curto prazo (1, 2, 3 meses) e médio prazo (6 meses).
A escolha de diferentes taxas e períodos de propagação decorre da incerteza com relação à propagação da COVID-19 entre as regiões, permitindo contemplar momentos distintos da taxa de infecção em cada região.
As simulações consideram a estrutura etária de cada um dos 141 municípios do estado de Mato Grosso, cujos resultados foram acumulados em seguida para as 16 regiões de saúde, aqui identificadas pelo nome de seu município-polo ao invés das denominações que lhes foram conferidas (SES/MT, 2012), para facilitar sua localização espacial.
Por falta de um estudo com amostragem representativo no Estado e/ou país, a distribuição proporcional de casos confirmados por idade e as taxas de internação (Leito geral, UTI) foram calculadas a partir de dados observados e publicados nos EUA (CDC COVID-19 Response Team, 2020a).
As simulações foram realizadas para o número de internações hospitalares em geral e internações em leito UTI com necessidade de aparelhos de ventilação mecânica em cada região de saúde, em decorrência da COVID-19 e também para o somatório dos leitos de UTI e equipamentos adicionais de ventilação mecânica disponíveis nas regiões.
As taxas de ocupação como consequência da pandemia de COVID-19 foram estimadas a partir de dados da disponibilidade de leitos gerais e de UTI e de UTI+equipamentos de ventilação mecânica disponíveis para instalação, a partir de dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde-CNES. Para isso, as ocupações médias de leitos gerais e de UTI sem interferência de casos de COVID-19 foram estimadas pela média anual (março de 2019-fevereiro de 2020), de acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) do Ministério da Saúde.
  • Foram calculados como resultados principais:
  • Taxa de Ocupação de leitos hospitalares.
  • Taxa de Ocupação de leitos de UTI.
  • Taxa de Ocupação de leitos de UTI, acrescentando nos dias-leitos a disponibilidade de aparelhos de ventiladores/respiradores adicionais sem atual uso nos municípios/regiões.
 

A2. Principais resultados

  • Na situação atual da pandemia de COVID-19 em Mato Grosso (15/04/2020), com primeiro caso confirmado em 20 de março, e 1º óbito em 03 de abril, a infraestrutura hospitalar do estado ainda possui capacidade de atendimento.
  • Projetamos uma situação extremamente crítica em termos de capacidade de atendimento no estado, caso se realizem projeções de expansão da doença menos otimistas, isso de acordo com experiências internacionais de países com início mais cedo da COVID-19.
  • A disponibilidade hospitalar será crítica principalmente no caso de ocorrer necessidade de atendimento de casos graves da doença, demandando UTI e equipamentos mecânicos de ventilação
  • O estado possui fortes disparidades regionais em termos de capacidade de atendimento. Essas disparidades não ocorrem, necessariamente, simultaneamente nas regiões com relação ao atendimento de casos com sintomas mais brandos (Leitos gerais) ou críticos que demandam hospitalização em UTI.
  • A região mais populosa do estado (Baixada Cuiabana) ainda apresenta capacidade de resiliência mais expressiva a taxas de infecção mais intensas (2%, 5%)
  • Por outro lado, regiões mais no norte, oeste e leste do estado não contam com a infraestrutura hospitalar adequadamente desenvolvida para enfrentamento da pandemia da COVID-19.
  • Já outras regiões de forte crescimento econômico e populacional nas últimas décadas, como por exemplo o médio norte do estado (p. ex. Sinop), que possuem inclusive risco de infecção mais elevado em razão da densidade populacional relativamente maior, experimentariam, apesar da sua infraestrutura hospitalar já desenvolvida, extrapolação das suas capacidades, não projetadas para eventos endêmicos.
 

A3. Principais limitações

As análises apresentadas neste documento técnico foram amplamente baseadas nos procedimentos metodológicos propostos por Noronha et al. (2020) e Rache et al. (2020). Para facilitar uma interpretação dialética dos resultados, são citadas aqui, com mínimas modificações, as limitações elencadas por este estudo de referência.
  • Há grandes incertezas com relação à propagação e duração da pandemia no estado de Mato Grosso.
  • A estimação da demanda por internações gerais, internações em leitos UTI e aparelhos de respiração mecânica por grupos etários foi baseada em parâmetros derivados de um estudo realizado para os Estados Unidos. Isso se refere, porém, somente na estimativa da contribuição relativa das diferentes faixas etárias na taxa de infecção geral (0,5%, 1%, 2%, 5% da população municipal) e na estimativa das taxas de hospitalização por grupo etário.
  • As estimativas não levam em consideração diferenças na propagação do SARS-CoV-2 segundo a estrutura urbana, conectividade entre cidades, assim como composição e tamanho dos domicílios no estado. A co-residência de grupos de risco (idosos e indivíduos com outras morbidades) com grupos de idade que têm maior probabilidade de desenvolverem a forma assintomática da doença (crianças, jovens e adultos jovens) pode afetar as taxas de infecção e sua distribuição regional e temporal. O efeito dependerá das políticas de controle adotadas pelas autoridades públicas, em especial o distanciamento social.
  • Estimativas de leitos hospitalares (geral e UTI) e aparelhos de ventilação mecânica disponíveis para o atendimento dos pacientes com COVID-19 foram realizadas utilizando-se a taxa de ocupação média no SUS observada em 2019 para os leitos gerais e UTIs das regiões de saúde. Essa taxa foi aplicada também para os leitos privados, uma vez que não dispomos de informações de internações hospitalares para esse setor.
  • Oferta de leitos hospitalares e aparelhos de ventilação mecânica neste trabalho é mantida constante, independentemente do choque de demanda gerado em função da pandemia. A análise não contempla possível realocação de internações eletivas nem a criação de novos leitos ou disponibilização de aparelhos.
  • A base de dados utilizada para estimar os leitos hospitalares e aparelhos de ventilação mecânica apresenta potencial de subestimação, principalmente em relação a leitos hospitalares. Nossas estimativas, portanto, refletem um cenário mais pessimista.
  • As estimativas não consideram a capacidade de oferta por porte dos hospitais e questões de escala.
  • Não foi considerada a pressão de demanda pela COVID-19 sobre a oferta de profissionais envolvidos na assistência, suporte, higienização e outros insumos essenciais para o funcionamento adequado dos hospitais na resposta à pandemia.
 

1. Introdução

A infecção pelo vírus SARS-CoV-2 caracteriza uma pandemia com gravíssimos reflexos sobre os sistemas de saúde globalmente. Experiência em outros países demonstram a dificuldade, ou até mesmo incapacidade, de seus sistemas de serviços de saúde absorverem o impacto gerado pela demanda por internações e uso de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em função da COVID-19. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem atuado próximo, ou além, do limite de sua capacidade de atendimento para hospitalizações. Em Mato Grosso, a situação não é diferente, e a dificuldade para suprir a demanda é acentuada pelas desigualdades regionais.
Para efeitos de gerenciamento e organização da oferta de leitos e equipamentos hospitalares, o estado é dividido em 16 regiões de Saúde. Existe grande concentração dos leitos hospitalares em geral e das UTI em Cuiabá, capital do estado, e esta concentração reflete diretamente na capacidade do estado em atuar frente aos problemas de gerenciamento dos serviços de saúde. A maioria dos municípios mato-grossenses (67%; N=95) não possui nenhuma UTI, e em 20 municípios há apenas uma.
Em situação de atendimento à pessoa com COVID-19 que demanda hospitalização, a mesma deve ser realizada no menor tempo e menor deslocamento possível. Apesar da distância elevada e infraestrutura viária parcialmente precária entre o centro de atendimento do polo e regiões periféricas, nossa unidade geográfica de análise são as 16 Regiões de Saúde, isso diante da estrutura de funcionamento do sistema de saúde.
Dados do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos da América demonstram que 80,3% dos casos são leves, outros 15,8% precisam de internação, e 4,9% se tornam casos graves que precisam de tratamento em Unidade de Terapia Intensiva.
Em condições normais de mobilidade e sociabilidade, a evolução do número de casos de COVID-19 tem crescimento exponencial, ou seja, na medida que o tempo passa, maior a velocidade de crescimento do número de casos, até alcançar um pico nas novas infecções por dia e reduzir as taxas de dispersão. Sabendo deste comportamento, partimos da premissa de que a capacidade do sistema de saúde de atender os pacientes com COVID-19 depende do tempo em que a população é infectada.
Diante disso, este estudo tem como objetivo apresentar simulações de oferta e demanda por leitos hospitalares, UTIs e ventiladores no estado de Mato Grosso, sob diferentes taxas de infecção em horizontes temporais de curto e médio prazos.
Com os resultados apresentados, esperamos contribuir na discussão sobre a capacidade do sistema de saúde em Mato Grosso em enfrentar o grave problema desta pandemia, e que sirva de suporte para planejamento de ações por parte do poder público.

2. Metodologia

2.1 Panorama da distribuição dos casos no Brasil e em Mato Grosso

Para o perfil temporal dos casos de COVID-19 e a construção do mapa de distribuição de casos no Brasil são utilizados dados provenientes do site de compartilhamento de dados <https://github.com/wcota/covid19br/blob/master/cases-brazil-cities-time.csv>. Perfil temporal e o mapa de casos de Mato Grosso são elaborados a partir de dados divulgados pelos Boletim Informativo da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso (SES/MT, 2020).

2.2 Disponibilidade de atendimento (oferta de leitos, UTIs e Ventiladores)

O número de equipamentos de ventiladores mecânicos (respiradores) e leitos gerais e de UTIs foram obtidos do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), independente da disponibilidade para atendimento SUS ou não SUS. Foi considerado o número de ventiladores mecânicos disponíveis no estado em fevereiro de 2020 e sua estratificação por município (posteriormente agrupados por regiões). Como há variações nos números mensais do número de leitos e UTIs disponíveis, utilizamos uma média dos meses de março de 2019 a fevereiro de 2020. Existem, em Mato Grosso, mais ventiladores do que UTIs nos hospitais numa razão de 1,8 ventiladores para cada UTI. Este valor está acima do que o recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, que é de 1 respirador a cada 2 leitos de UTI e 1 respirador adicional a cada 5 leitos (ANVISA 2010). Com isso, apresentamos também estimativas das taxas de ocupação para este número extra (UTI+ventiladores).
Dados sobre o número de internações realizadas foram obtidos do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS). Foram consideradas as Autorização de Internação Hospitalar (AIH) pagas no período de março de 2019 a fevereiro de 2020, para ter uma média de uso dos leitos hospitalares no período de 1 ano. Para estimativa do uso das UTIs em cada região de saúde, foram utilizadas as taxas de ocupação disponibilizadas por Rache et al. (2020) em estudo publicado recentemente em que calculou percentuais para o Brasil, estados e regiões de saúde de todo o país.
A partir dos dados coletados, foram então obtidos os seguintes indicadores:
  1. Taxa de ocupação dos leitos hospitalares gerais (LG). A taxa de LG é dada pela divisão do Número de leitos pelo número de AIHs pagas, sempre considerando as médias dos últimos 12 meses.
  2. Taxa de Ocupação de UTIs (UTI). A taxa de UTI é baseada nas estimativas de Rache et al. (2020) para as regiões de saúde do estado de Mato Grosso.
iii. Taxa de Ocupação do somatório de Ventiladores mecânicos + UTIs (UTI+Vent). A taxa é dada pelo Número de ventiladores extras + UTIs multiplicado pela taxa de ocupação de UTIs.
Para os cálculos dos leitos foram excluídos os leitos obstétricos, pediátricos, hospital-dia e especiais. Para os cálculos das UTIs foram excluídos os leitos pediátricos, neonatal e queimados. Pela indisponibilidade de informações sobre a ocupação de leitos, UTIs e ventiladores em hospitais privados, usamos a mesma taxa de ocupação dos estabelecimentos do SUS.

 

2.3 Taxas de Infecção

Pelo fato de no Brasil ainda não estarem disponíveis as taxas específicas por idade, utilizamos as taxas específicas dos casos ocorridos nos Estados Unidos para hospitalização, internação em UTI e letalidade, publicadas em 18 de março pelo CDC-USA (CDC COVID-19 Response Team, 2020a). Esta metodologia foi proposta por Noronha et al. (2020) em trabalho sobre a demanda hospitalar nas microrregiões brasileiras.
Para cálculo das taxas de infecção foi utilizada a projeção populacional por município de 2020 do PNUD (FREIRE, 2019), estratificado por faixa etária (0-19, 20-44, 45-54, 55-64, 65-74, 75-85, 85 e mais). Os dados populacionais foram agrupados por Região de saúde, sendo então possível construir taxas específicas por idade para as regiões do estado e, consequentemente estimar o número de casos pelo perfil etário das regiões.
Foi simulado o número de infectados por faixa etária para cada região considerando cenários de taxas de infecção de 0,5%, 1%, 2% e 5% (casos confirmados) e horizontes de propagação da COVID-19 para o curto prazo (1, 2, 3 meses) e médio prazo (6 meses).

 

2.4 Cenários de demanda de atendimento

As simulações foram realizadas para o número de internações hospitalares em geral, e internações em leito de UTI com aparelhos de ventilação mecânica e para o somatório dos leitos de UTI+equipamentos de ventilação mecânica sobressalentes em cada região de saúde, em decorrência do COVID-19. Como exposto anteriormente (2.2), os cenários consideram a ocupação média dos LG e leitos de UTI por outras enfermidades.
São considerados cenários definidos com base em taxas de infecção de 0,5%, 1%, 2% e 5% (casos confirmados) e horizontes de propagação do COVID-19 de curto prazo (1, 2, 3 meses) e médio prazo (6 meses). A demanda foi calculada utilizando como parâmetro o tempo de utilização de LGs e leitos de UTIs: 08 dias para casos leves e 10 dias para casos graves (FERGUSON et al., 2020)
A escolha de diferentes taxas e horizontes temporais decorre da incerteza com relação à propagação da COVID-19 entre as regiões, permitindo contemplar momentos distintos da taxa de infecção em cada região.

 

2.5 Oferta x Demanda

Considerando suas taxas de ocupação e uso do último ano, foi possível calcular o número de leitos, UTIs e UTI + ventiladores disponíveis (ou seja, aqueles que, hipoteticamente, estariam sobrando em relação ao número de UTIs), tudo expresso em quantidade-dia. A estes números de disponíveis foram somados o número-dias de pacientes com COVID-19 que precisariam de internação hospitalar em leitos comuns e em UTIs. Assim, a partir dos cenários simulados, a divisão destes somatórios pelo número-dias de leitos/equipamentos disponíveis foram obtidos as taxas de ocupação de LGs, UTI e UTI+Vent.

i.  Taxa de Ocupação de leitos gerais
ii. Taxa de Ocupação de leitos de UTI
iii. Taxa de uso de leitos de UTIs + ventiladores

3. Resultados

3.1 Panorama atual

3.1.1 Brasil

No Brasil, até o dia 13 de abril de 2020, foram notificados 23.430 casos da doença e 1.328 óbitos. O primeiro caso foi confirmado em 25 de fevereiro na cidade de São Paulo. Passados menos de 2 meses, o número de casos confirmados tem aumentado em 2 vezes, em média, a cada 4 dias. Até o dia 13 de abril, notificaram casos um total de 1.016 municípios em todos os estados brasileiros. O primeiro óbito aconteceu na cidade de São Paulo no dia 17 de março. São 261 municípios com pelo menos 1 morte ocasionada por COVID-19, distribuídas em 26 estados (apenas em Tocantins não ocorreu morte por COVID-19).

Figura 1: Desenvolvimento temporal dos casos notificados e óbitos de COVID-19 no Brasil e sua distribuição espacial no dia 13/04/2020.

3.1.2 Mato Grosso

No estado de Mato Grosso, até o dia 14 de abril de 2020, foram registrados 138 casos confirmados de COVID-19, distribuídos em 18 municípios do estado, 8 regiões de saúde (SES/MT, 2020). O primeiro caso foi confirmado dia 20 de março na capital (23 dias depois do primeiro caso no país). Entretanto, para melhor avaliação do curso da epidemia, o indicado é avaliar o início dos primeiros sintomas, como mostrado no primeiro Informe Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (publicado em 06 de abril de 2020), em que é possível observar que o início dos sintomas do primeiro caso confirmado ocorreu no dia 12 de março (ou seja, oito dias antes da sua confirmação), sendo notificado no dia 14 de março (DIVISA/SMS/CUIABÁ, 2020). O intervalo médio entre os primeiros sintomas e a notificação na capital mato-grossense foi de 5,23 dias
Na 14ª semana epidemiológica, houve um incremento médio de aproximadamente 20% de casos diariamente, sendo o primeiro óbito registrado no dia 03 de abril no município de Lucas do Rio Verde (Região Teles Pires – Sinop).

Figura 2: Desenvolvimento temporal dos casos notificados e óbitos de COVID-19 no estado de Mato Grosso e sua distribuição espacial no dia 13/04/2020.

3.2 Disponibilidade de leitos, UTIs e ventiladores

3.2.1 Leitos Gerais

Existem em Mato Grosso, segundo os dados do CNES, 4.829 leitos hospitalares, sendo 3.386 do SUS e 1.444 da rede particular. Considerando o número total de leitos, há uma proporção de 13,7 leitos por 10.000 habitantes (9,6/10.000 hab. da rede do SUS). Porém, esta proporção é bastante desigual nas diferentes regiões de saúde do estado, variando de taxas de 8,9 a 18,5 leitos por 10.000 habitantes (Figura 3). As regiões de Cuiabá (18,5/10.000 hab.) e Água Boa (16,4/10.000 hab.) tem as maiores taxas, em contraponto com as regiões de Sinop (8,95), São Félix do Araguaia (9,23) e Tangará da Serra (9,85). Em algumas regiões os leitos estão bastante concentrados, como em São Félix do Araguaia (N=23), onde todos estão na cidade polo. Outras regiões que apresentam forte concentração dos leitos são Alta Floresta (60% N=85), Cáceres (62% N=151) e Colíder (76% N=73). As regiões com menor concentração de leitos nos polos são Pontes e Lacerda (29% na cidade polo) Porto Alegre do Norte (32% em Confresa) e Peixoto de Azevedo (32% no polo). Na região de Cuiabá, 80% dos leitos estão na capital, o que representa 39% dos leitos de todo o estado (possuindo 25% da população do estado).

3.2.2 Leitos de UTI e respiradores

A Organização Mundial da Saúde recomenda a relação de 1 a 3 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) a cada 10 mil habitantes (Programa Radis 2020). Em Mato Grosso a relação é 2,16 UTIs para cada 10.000 habitantes. Porém, assim como no caso dos leitos gerais, sua distribuição geográfica é heterogênea, com variações expressivas por regiões de saúde, de 0,22 (Porto Alegre do Norte) a 4,16 (Cuiabá) a cada 10.000 habitantes (Figura 4). Isso sem considerar que duas regiões não dispõem de leitos de UTI (Água Boa e São Félix do Araguaia). Essas regiões abrangem juntas 13 municípios e mais de 120 mil habitantes. Estas duas regiões são localizadas ainda entre as regiões Porto Alegre do Norte e Barra do Garças, que têm taxas baixas, respectivamente, de 0,22 e 1,10 UTIs a cada 10.000 habitantes. Toda esta área é comumente conhecida como Vale do Araguaia. Somando-se as UTIs destas áreas tem-se o total de apenas 16 vagas para uma população estimada de 339.118, o que caracteriza uma relação de 0,47 UTIs para 10.000 habitantes.
Em especial para o caso da COVID-19, deve-se destacar o papel decisivo dos leitos de UTI na sobrevida dos pacientes. Um atraso no acesso dos pacientes a esses leitos pode resultar em resultados clínicos desfavoráveis e, consequentemente, aumento da mortalidade. Além dos leitos de UTI, deve-se observar a disponibilidade de leitos gerais para não gerar gargalos na porta de saída da UTI e atraso na transferência de pacientes em condições de alta.
Ao considerar o número de ventiladores mecânicos, a Região de São Félix do Araguaia permanece sem disponibilidade e por isso, analisa-se aqui a situação de 15 regiões do estado.
É importante destacar o fato que a metade dos leitos de UTI e dos ventiladores mecânicos estão localizados na Região de Cuiabá, onde se localiza a capital do estado (56,2% e 56,4%, respectivamente). Essa concentração ultrapassa as proporções populacionais, visto que a Baixada Cuiabana concentra cerca de 30% da população do estado. Uma das explicações para isso é o fato de Cuiabá ser referência regional e estadual para esse tipo de atendimento. Entretanto, deve-se considerar a grande distância existente entre a região de Cuiabá e a maioria das demais regiões de saúde do estado, não sendo possível descartar a possibilidade de tal referência ocorrer forçosamente, em função da concentração dos leitos de UTI na capital (SOUZA e SCATENA, 2014).

Figura 3: Leitos hospitalares por município e regiões de saúde em Mato Grosso, fevereiro de 2020.

Figura 4: Leitos de UTI por município e regiões de saúde em Mato Grosso, fevereiro de 2020.

Figura 5: Equipamentos de ventilação mecânica por município e regiões de saúde em MAto Grosso, fevereiro de 2020.

3.3 Distribuição espacial das taxas de internação por COVID-19

A distribuição das taxas de internação foi estimada para os cenários de 0,5%, 1%, 2% e 5% de taxa de infecção, para avaliar como o sistema de saúde é capaz de absorver a necessidade de internação em leitos e UTIs sob diferentes situações de demanda em função da COVID-19. A capacidade de atendimento do sistema de saúde vai depender do tempo em que uma taxa de infecção for atingida.
Esta seção apresenta a proporção de pessoas que precisariam ser internadas em leitos gerais e em UTIs, a uma taxa de infecção de 1%, considerados os perfis etários de cada região de saúde (Figura 6).
As regiões de Colíder, Cáceres e Barra do Garças são as que demandariam proporcionalmente o maior número de leitos gerais, com uma taxa em torno de 20 pessoas a cada 10.000 habitantes. A regional de Sinop teria a menor demanda, com cerca de 16/10.000 habitantes. Com relação ao uso de UTIs, as maiores taxas (≈4,5/10.000 hab.) são simuladas para Barra do Garças e Colíder. As menores taxas são estimadas para Juína, Tangará da Serra e Sinop.

Figura 6: Distribuição das hospitalizações em leitos e em UTIs nos municípios e regiões de saúde de Mato Grosso, sob taxa de infecção de 1%.

3.4 Cenários de demanda hospitalar sob diferentes taxas de infecção

3.4.1 Taxa de 0,5 % de infecção

No cenário de menor taxa de infecção em um curto prazo (0,5% em 02 meses), a taxa de ocupação média seria de simulados 77% para os leitos gerais, 88% para UTIs e 83% para UTIs e equipamentos de ventilação. A região de Sinop seria a única sem disponibilidade de leitos gerais, 7 regiões ultrapassariam a capacidade em número de leitos de UTI e, considerando o número de leitos de UTI e ventiladores, as regiões de Barra do Garças, Diamantino, Pontes e Lacerda e Porto Alegre do Norte operariam além de sua capacidade (Figura 7), com média de taxa de ocupação de 109%.
No horizonte temporal de 01 mês para a infecção de 0,5%, a taxa de ocupação média para Mato Grosso seria de 91% para leitos gerais, 113% para os leitos de UTI e 96% para leitos e respiradores. As regiões de Cáceres, Rondonópolis e Sinop ultrapassariam sua capacidade de leitos gerais e apenas Cuiabá teria leitos disponíveis de UTI. Nesse cenário, 11 regiões de saúde estariam em situação crítica ao considerar leitos de UTI e respiradores, trabalhando além de suas capacidades, sendo a taxa de ocupação média de 142% para elas.

Figura 7: Taxa de ocupação de Leitos, UTIs e Equipamentos de ventilação extra + UTIs para uma taxa de infecção de 0,5 % em períodos de 2 meses e 1 mês. Regiões de Saúde de Mato Grosso.

3.4.2 Taxa de 1 % de infecção

No cenário de 1% de infecção em 2 meses, a taxa de ocupação média seria de simulados 82% para os leitos gerais, 96% para UTIs e 87% para UTIs + equipamentos de ventilação. Nesse caso, 3 regiões de saúde ultrapassariam sua capacidade (Sinop, Rondonópolis e Cáceres) para hospitalização geral e somente 4 regiões (Cuiabá, Colíder, Rondonópolis e Tangará da Serra) teriam ainda capacidade ociosa de UTIs (Figura 8). As regiões de Porto Alegre do Norte e Diamantino encontrariam-se em uma situação de ocupação muito crítica (>150%). Para o somatório dos UTIs e equipamentos de ventilação a taxa de ocupação continuaria muito crítica para a região de Diamantino.
Com a mesma taxa de infecção de 1%, porém alcançada em 1 mês, a taxa média de ocupação estadual seria de 108%, 145% e 113% para LG, UTI e UTI+Vent, respectivamente. A situação da disponibilidade dos LGs se tornaria muito crítica na região de Sinop (150%-200%). As taxas de ocupação das UTIs se apresentaria muito críticas para todas as regiões com instalações de UTI cadastradas, sendo a situação menos agravada em Cuiabá e Colíder para UTI+vent (90%-100%).

Figura 8: Taxa de ocupação de Leitos, UTIs e Equipamentos de ventilação extra + UTIs para uma taxa de infecção de 1% em períodos de 2 meses e 1 mês. Regiões de Saúde de Mato Grosso.

3.4.3 Taxa de 2 % de infecção

Com 2 % de infecção em 2 meses, a taxa de ocupação em Mato Grosso seria de 91% de leitos gerais, 113% para UTIs e 93% para UTIs e ventiladores. Com esta taxa, as regiões de Cáceres, Sinop e Rondonópolis teriam sua capacidade extrapolada na ocupação de seus leitos gerais. Cuiabá teria taxa de ocupação de leitos gerais em 95%, e as demais regiões teriam capacidade de atendimento com ocupação de no máximo 86% (em Juína). Com relação ao uso de UTIs, apenas Cuiabá não teria ultrapassada sua capacidade de atendimento, ficando com 95% de ocupação. Todas as demais teriam demanda maiores do que sua capacidade, sendo que Porto Alegre do Norte (398%), Peixoto de Azevedo (202%) e Diamantino (271%) teriam a situação mais crítica na questão das UTIs. Quando se soma os ventiladores às UTIs, a situação melhora para as regiões Água Boa, Colíder, Rondonópolis e Tangará da Serra, apresentando capacidade de atendimento de toda a demanda, porém bastante próximo do limite (exceto Água Boa, que teria 58% de uso de UTIs e ventiladores somados).
Com 2% de infecção em 1 mês, o sistema extrapola sua capacidade de atendimento em todas as regiões de saúde, com exceção de Água Boa no caso dos leitos gerais. A taxa de ocupação em Mato Grosso seria de 144% dos leitos gerais, 210% das UTIs e 146% quando soma-se UTIs aos ventiladores. Com relação aos leitos gerais, a região de Sinop teria uma situação bastante crítica, com ocupação de 220%. Quanto a ocupação de UTIs, e UTIs mais ventiladores, todas as regiões têm sua capacidade extrapolada.

Figura 9: Taxa de ocupação de Leitos, UTIs e Equipamentos de ventilação extra + UTIs para uma taxa de infecção de 2% em períodos de 2 meses e 1 mês. Regiões de Saúde de Mato Grosso.

3.4.4 Taxa de 5 % de infecção

No cenário de médio prazo (6 meses) para uma taxa de 5% de infecção, Mato Grosso de uma maneira geral teria capacidade de atendimento em leitos gerais (78%), UTIs (89%) e UTIS e Ventiladores (81%). Ao analisar as diferenças regionais, apenas a região de saúde de Sinop não teria capacidade de atendimento em leitos gerais. Com relação a UTIs, 7 regiões teriam a sua capacidade extrapolada (Figura 10). Se considerarmos as UTIs somada aos ventiladores, todas teriam capacidade de atendimento.
No cenário de um horizonte de 3 meses para alcançar uma taxa de infecção de 5%, o estado teria capacidade de atendimento em leitos gerais (93%), porém as UTIs não seriam suficientes para o atendimento, tendo uma taxa de ocupação de 116% em média. Somando os ventiladores às UTIS, a situação melhora no nível estadual com 91% de uso. As regiões de Sinop, Cáceres e Rondonópolis não teriam capacidade de atendimento em leitos gerais. Com relação a UTIs, somente a região de Cuiabá seria capaz de atender toda a demanda da população local. Quando somamos às UTIs os ventiladores disponíveis, a situação continua crítica em 10 regiões de saúde, com demanda que ultrapassa 100% da disponibilidade destes equipamentos.
No cenário de 2 meses, a situação seria crítica para o estado, com uma taxa de ocupação de leitos gerais de 117%. As UTIs teriam ocupação de 161%, e somando-se a estas os ventiladores, a taxa de ocupação seria de 113%. Sob o ponto de vista das disparidades regionais, 7 regiões terão leitos gerais suficientes neste cenário. Porém, nestas 7 regiões residem apenas 18% da população do estado. Já para 82% da população distribuída em 9 regiões não teria leitos gerais suficientes. Com relação a UTIs, somente as regiões de Colíder e Cuiabá teriam condições atender toda a demanda, se repetindo a mesma situação acrescendo-se às UTIs os ventiladores.
No cenário mais pessimista desse estudo, com infecção de 5% alcançada em 1 mês, a situação se tornaria extremamente crítica para o todo o estado, com taxas de ocupação de leitos gerais de 252%, de 406% para UTIs, e 244% para UTIs somado a ventiladores. Regionalmente, a situação mais crítica para a ocupação dos leitos gerais ocorreria nas regiões de Sinop, Juína e Tangará da Serra, com taxas superiores a 300%. Sobre as UTIs, as taxas são maiores que 300% (exceção de Cuiabá que é de 241%). Mesmo com a soma dos ventiladores às UTIs, a situação continua muito crítica, com taxas de ocupação não inferiores a 200%, ou seja, necessitariam ao menos o dobro de leitos para tratar os casos mais críticos.

Figura 10: Taxa de ocupação de Leitos, UTIs e Equipamentos de ventilação extra + UTIs para uma taxa de infecção de 5 % em períodos de 6, 3, 2 meses e 1 mês. Regiões de Saúde de Mato Grosso.

Referências

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Forma de citação:

Santos ES; Zeilhofer P; Muraro AP. Análise de demanda adicional de leitos hospitalares gerais, UTI e equipamentos de ventilação assistida em Mato Grosso em função da pandemia de COVID-19: impactos regionais. Nota Técnica. IGHD/ISC – UFMT: Cuiabá, 2020.